II JORNADA PARAENSE DE CINECLUBES
Apesar de não podermos precisar ao certo a data de fundação do primeiro Cineclube no Estado do Pará, podemos afirmar que, em se tratando de cinema, o Cineclubismo é a maior tradição do setor, já que as suas práticas têm marcada presença na cena audiovisual paraense há mais de 50 anos, ressaltando-se, nesse processo histórico, a destacada atuação de Acyr Castro, Pedro Veriano, Antônio Munhoz, Luzia Álvares, Alexandrino Moreira e tantos outros que desde a década de 1960, mantém vivo o debate em torno de temas abordados em filmes e sobre a própria linguagem cinematográfica.
Nos últimos anos do final do século passado, as iniciativas cineclubistas tornaram-se reduzidas e não alcançavam visibilidade social, entretanto, na última década, a que dá início ao século XXI, as atividades cineclubistas retornam ao seio da sociedade em forma de militância pela democratização do acesso aos conteúdos audiovisuais e pelo direito a produção e exibição de filmes nacionais, regionais e estaduais.
No Pará esse fenômeno inicia em 2003, em Belém, com a fundação do Cineclube Amazonas Douro (durante o Concílio Artístico Luso-Brasileiro), evento que conta com as presenças de dois mestres do cinema de língua portuguesa: o maior produtor brasileiro dos ditos “filmes B”, José Mojica Marins, o Zé do Caixão; e o Mestre de Cinema da Escola do Porto, Sério Fernandes, também vinculado à corrente estética “Cinema Pobre”.
Todo este processo se consolida com o surgimento de novas ações praticadas por diversas redes de jovens produtores culturais, entre as quais: a 'rede [aparelho]-:', que desde 2005 faz ações cineclubistas em feiras e praças públicas na Área Metropolitana de Belém; a Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema - APJCC, que surge em 2007 a partir da reunião de três experiências cineclubistas realizadas em universidades; o Cineclube Nangetu, que na segunda metade da década mantém uma programação de filmes afro-brasileiros vinculada aos dias de celebrações afro-religiosas da Comunidade do Mansu Nangetu; o Projeto Cinema de Rua - que é uma articulação de várias iniciativas que exibem filmes nas ruas e periferias da cidade de Belém; o Movimento Cultural da Marambaia – MOCULMA, que também promove cineclube em praça pública (projeto “Tela de Rua”).
Estas redes estabeleceram relações democráticas e solidárias entre si, combinando parcerias em diversas ações desenvolvidas nas cidades de Belém e Ananindeua, com fortes reverberações em práticas levadas avante em municípios como Santarém (ONG Puraquê e Saúde Alegria) e Marabá (Galpão das Artes). Mas o fortalecimento destas ações deu-se com o desenvolvimento de programas nacionais/regionais pelo Ministério da Cultura, como os Pontos de Cultura, que foram estimulados a desenvolver práticas cineclubistas, e mais recentemente (no Pará) o Programa Cine + Cultura, lançado via Secretaria de Cultura/Minc, fortalecendo e estimulando cerca de 45 iniciativas em várias cidades e micro-regiões.
Essa movimentação em torno do cinema e da democratização do acesso ao audiovisual criou uma rede cultural de cineclubes no Estado do Pará e na região Norte como um todo, reunidas em grupos de discussão pela internet, como o JOPACINE (Jornada Paraense de Cineclubes), com acesso através do email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e pelo sítio http://www.grupos.com.br/group/jornadaparaensedecineclube/, e a Rede Norte de Cineclubes.
A articulação das redes culturais em torno de ações cineclubistas possibilitou a articulação e a realização de eventos preparatórios para a Jornada Paraense de Cineclubes, como o “Circuito em construção – seminários estaduais para a auto-sustentabilidade cineclubista”, realização da Teia Brasil em maio de 2009; e dos I e II “DIÁ-logos Cineclubistas”, realizado primeiramente em agosto de 2009 por iniciativa de vários cineclubes, projetos e organizações (ver em http://institutonangetu.blogspot.com/2009/08/dialogos-cineclubistas-fala-das.html ,em http://institutonangetu.blogspot.com/2010/05/ii-dialogos-cineclubistas-construindo.html e http://redecinenorte.ning.com/profiles/blogs/ata-dos-ii-dialogos) , para finalmente em 15 de maio de 2010, durante o II Diálogos Cineclubistas, 33 organizações decidiram pela realização da Jornada Paraense de Cineclubes, com objetivo primordial da criação da Federação Paraense de Cineclubes, e, com ela fortalecer a rede cultural das atividades cineclubistas no Estado do Pará.
Estas organizações decidiram, então, fundar a PARACINE – Federação Paraense de Cineclubes, em julho de 2011, data a partir da qual a entidade passou a convocar grupos não formalizados, instituições que desenvolvam exibições assim como entidades contempladas por editais públicos que trabalhem com a atividade cineclubista, para, coletivamente, deslanchar um conjunto de ações que têm como objetivo fortalecer o cineclubismo no estado do Pará, através da reunião de todos os cineclubes.
Por meio da sustentabilidade de conteúdos e ações audiovisuais, em linhas gerais, estes são os objetivos da entidade que nasceu para contribuir para o desenvolvimento do cineclubismo no Estado do Pará:
1 Através de uma articulação em rede consolidar a ação cineclubista na sociedade civil, criando uma independência das políticas governamentais, o que fortalece e consolida o cineclubismo paraense.
2 Discutir políticas públicas de incentivo aos cineclubes, e estratégias de desenvolvimento da atividade cineclubista no Estado do Pará;
3 Incentivar o intercâmbio entre os cineclubes paraenses e destes com os cineclubes dos demais estados brasileiros.
A criação da PARACINE tanto estimulou o surgimento quanto consolidou um conjunto de ações que foram fundamentais para o movimento cineclubista.
Entre estas ações podemos destacar a própria participação da entidade na Jornada Nacional de Cineclubes, promovida pelo Conselho Nacional de Cineclubes (CNC), e a conseqüente eleição do ativista afro-religioso Arthur Leandro para a diretoria regional do CNC. Este mesmo militante, assim como o cineclubista Darcel Andrade, participaram do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), e ainda a conferência de Francisco Weyl no Congresso Mundial de Cineclubes.
Nestes fóruns, a PARACINE, pela via dos seus representantes, apresentou propostas contundentes, como por exemplo o lançamento de editais audiovisuais específicos para povos de terreiros, assim como a abertura de diálogos e práticas relativas ao cineclubismo e educação.
Por este motivo, a PARACINE também fortaleceu o Grupo de Trabalho Audiovisual Amazônico, criado no CNC, do mesmo modo colaborou intensamente para a construção do Fórum Audiovisual Amazônia Legal, que será realizado em 2012, no Maranhão.
É de se destacar ainda a construção da Rede de Cineclubes de Terreiros e da defesa da diversidade através da campanha CINECLUBES CONTRA A HOMOFOBIA, ações, aliás, que tem se tornado referências no território nacional.
Dentro desta perspectiva, a II Jornada Paraense de Cineclubes – cujo processo já está em andamento com a realização dos DIÁ-logus cineclubsitas 2011, que estão a ser organizados em diversos espaços e sempre em comunhão com as agendas dos movimentos sociais, espera reunir ativistas e amantes do cinema, do vídeo, do audiovisual, como roteiristas, técnicos, produtores, realizadores, operadores de câmera e diretores de fotografia, atores e atrizes, pesquisadores, professores e todas as pessoas da comunidade que se interessam pelo cinema como prática de libertação da consciência humana e da construção da cidadania e de um mundo mais justo.
Assim sendo, convocamos a sociedade para participar da nova agenda cineclubista paraense:
BELÉM: 6 DE AGOSTO DE 2011 – PARQUE DOS IGARAPÉS – DAS 8 ÀS 13 HORAS
COTIJUBA: 20 DE AGOSTO DE 2011 – ESCOLA BOSQUE – DAS 8 ÀS 13 HS
Oficinas: Fotografia Digital + Montagem
SANTARÉM: 30 DE AGOSTO DE 2011 – IFPA – DAS 8 ÀS 13 HS
Oficina: cineclubismo e Mídias Sociais
BELÉM: 8 DE OUTUBRO DE 2011 - SPDDH - DAS 8 ÀS 13HS
PARAUAPEBAS: 18 e 19 DE NOVEMBRO DE 2011:
II JORNADA PARAENSE DE CINECLUBES + DIÁLOGOS CINECLUBISTAS
